Software arte e arte generativa

O artista e curador Marius Watz faz um balanço sobre o “estado da arte” da criação generativa, em entrevista publicada em: http://www.artificial.dk/articles/watz.htm

Para Marius Watz[1], o termo “arte generativa” é uma estratégia de prática artística, não um gênero ou estilo. Trabalhos de pintura abstrata e escultura a partir dos anos 1960 são essenciais para sua compreensão. O aspecto de generatividade deve ter predominância para ser considerado um trabalho de arte generativa, como resultado final. Está muito conectada a abstrações baseadas em software atualmente, à forma como o código afeta o processo artístico e o resultado final, incluindo a materialidade de algoritmos.

É importante a diferença do por que entre grupos recentes de artistas (naïf) e a geração precedente. Alguns exploram questões científicas, soluções de que a animação tradicional não dá conta, outros em forma e estrutura, conseqüência da ferramenta. O computador é democratizador, não requer habilidade manual, possui o mesmo potencial da música.

O termo “arte generativa”, para Watz, é uma metodologia, não um tipo específico de saída. Os artistas que assim se definem trabalham geralmente em grupos, isolados da arte tradicional, mas ganhando cada vez mais espaço e respeito.

Desde os anos 60 a arte vem se tornando menos concentrada na estética e mais envolvida em questões políticas e sociais.O trabalho de Marius Watz nasceu nas raves dos anos 90, conseqüentemente muito ligado ao hedonismo. Expressa seu sentimento em relação à música e sofre a influência da cultura pop, que se expressa pela cultura visual.

Trabalho com código para criar sistemas visuais, explorando qualidades materiais de diferentes algoritmos, para me surpreender mais do que a qualquer um. (Marius Watz)

Ele desenvolveu a instalação The Universe Machine, que representa um jogo. É uma instalação que não tem preocupação de nível visual ou estético. Lida com as impossibilidades de entendimento do espaço da informação da web no nível humano. O trabalho foi solicitado para ser exibido em Stavanger, Noruega, e devia lidar com linguagem. Em vez de fazer uma interpretação visual do trabalho, Watz decidiu deixar a finalização ser tão inútil quanto o processo.

Na instalação, o único elemento no display é a impressora industrial em posição de destaque. Desde que uma web Page é acionada, como um sistema de códigos que o usuário não vê, a instalação mostra com uma confirmação física recebida pela impressora o título da página, o endereço e uma lista das palavras mais usadas nela. A impressora guarda a nota no display por dez segundos. Se ninguém pegar o recibo, joga-o no chão, onde estarão outros papéis idênticos. Depois de algumas semanas, a peça vira lixo. A ironia é que ao mesmo tempo em que se têm todos os recibos da internet eles não dizem nada, a informação é inútil na maioria dos casos.

Outro projeto de M. Watz é Generator.X[2], um site de assuntos chaves: estéticas generativas, design baseado em processo, software performativo e ferramentas de artistas para artistas. Sempre com novos discursos e novos artistas.

Generator x - Marius Watz
Generator x - Marius Watz

Generator.x é uma conferência, uma exibição e um concerto que trata do uso do software e de estratégias generativas na arte digital. Generator.x foi produzido primeiramente em 2005. As primeiras conferências e concertos foram produzidos pelo Atelier Nord. A exibição foi produzida pelo Museu de Arte Nacional da Noruega em 2005 e 2006. Marius Watz é o iniciador e o curador de Generator.x. Está escrevendo o blog de Generator.x sobre arte generativa, com projetos que exploram estratégias estéticas para um mundo digital. Apresenta uma geração de novos artistas e desenvolvedores que trabalham o código do computador como linguagem. Expressões criativas por meio de uma nova compreensão do software como material estético com grande potencial de interpretação subjetiva, e não apenas como elemento técnico.

Casey Reas
Casey Reas

Dentre os artistas exemplificados com trabalhos que exploram o código como material estão Casey , Lia, Sebastian Oschatz e Trond Lossius. Os três primeiros são trabalhos visuais mostrados como projeções. Lossius apresenta a arte generativa sonora. Nessa categoria, tem a intenção de mostrar artistas para os quais o código é o significado primeiro de expressão, com o uso de algoritmos como material estético e código como método. Reflete a diferença básica nas estratégias da arte e design generativos.

Entre os autores de trabalhos de arte generativa como métodos estão Pablo Miranda Carranza, Lionel Theodore Dean, Benjamin Fry, Jürg Lehni, Golan Levin e Martin Wattenberg, dados básicos para a visualização do design orientado pela estética. Lionel Theodore Dean trabalha com prototipagem rápida e modelos processuais para criar objetos únicos de design para concepções comerciais.

Golan Levin - Messa de voces
Golan Levin
Benjamin Fry
Benjamin Fry

Utiliza-se dessa estratégia para atingir o público geral. Está mais ligado a discussões antigas de história da arte, não participa de festivais na linha sociopolítica. Segundo Watz, o atrito entre arte generativa e software arte é a acusação de que a arte generativa sai prejudicada, sendo considerada apenas uma busca pelas imagens perfeitas.


[1] – O artista e curador Marius Watz faz balanço sobre o “estado da arte” da criação generativa. Fonte: Artificial.dk Url original: http://www.artificial.dk/articles/watz.htm.

[2]-http://www.generatorx.no/