A exploração de um campo emergente

Formas geométricas, triângulos, círculos e bolhas coloridas se movem em diferentes direções da tela; ao toque do mouse, elas disparam, retorcem e se multiplicam.

É um sistema no nível mais básico, centralizado, obedecendo às regras dadas por uma única pessoa, o programador. As células são programadas para seguirem padrões, mas se existirem diferentes células e diferentes padrões se formarão novos padrões relacionados, mixados, gerando novas células que ninguém pode controlar diretamente. Gera-se um sistema emergente, como aquele projetado para criar algo na tela do computador que não pode ser visto como uma anarquia total porque obedece a regras definidas.

Caso a máquina deixasse de obedecer às regras do programa, logo iríamos pensar que houvera um bug, um vírus, um erro, não se pensaria na autonomia da máquina. Os melhores programadores eram os que tinham o controle do sistema. Deixando de lado o conceito de software, uma programação de controle, que obedece às regras, para pensarmos um uso diferente do software, um tipo de controle não planejado pelo seu desenvolvedor, que é cada vez mais comum, tem aqui um processo com rotinas autogenerativas.

A questão do controle nas artes digitais interativas vem pouco a pouco desafiando nosso senso de controle. Muitos usuários sentem-se desconcertados diante da tela anárquica do software JODI; muitos se afastam dos programas achando que não conseguem fazê-lo funcionar apropriadamente, desafiando nossa mente e nossa capacidade.

Nos últimos anos um novo tipo de híbrido surgiu da fusão do artista, programador e teórico da complexidade, na criação de projetos que desafiam o corpo e a mente simultaneamente.

Trabalhos que são projetados como pequenas máquinas do caos: coisas inesperadas acontecem e você só tem o controle pelas bordas do sistema (Johnson, 2001, p133)

www.jodi.org
http://www.jodi.org
Op-era, Rejane Cantoni e Daniela Kutschat

Observar padrões que emergem espontaneamente na tela é como observar organismos unicelulares decidindo compartilhar recursos pela primeira vez em um jogo sem regras claras, e como em todo jogo a regra é sua estrutura no caso da arte generativa e de sistemas orgânicos isso é conflitante. Como no projeto OP_ERA: SONIC DIMENSION[1], uma instalação imersiva e interativa desenhada como um instrumento musical em que percebemos que a imagem não é apenas imagem, mas sim um sistema de códigos, um mapa informacional que está compartilhado entre máquinas e sujeitos pelo seu estado de conectividade, definido por suas autoras, Rejane Cantoni e Daniela Kutschat, trabalha a interface de entrada da instalação com uma malha de sensores, para detectar a posição do interator e permite ao sistema interpretar qualquer ação como uma força gravitacional. Quando o interator aponta para uma das cordas, faz a corda vibrar e esta ação modifica a forma do espaço tempo pelo protocolo.

Os sistemas emergentes também são dirigidos por regras capazes de aprender, crescer e aderir aos comportamentos básicos, porque sem eles o sistema não funcionaria. Os sistemas emergentes, assim como os jogos, vivem dentro dos limites definidos, mas também usam esse espaço para criar algo maior que a soma das partes (Johnson, 2001, p135)

Um sistema emergente para ser visto como um jogo depende da ação do jogador e não somente da ação do sistema. O sistema precisa estar pensado para determinar a interferência do jogador para não se tornar algo frustrante.

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