Anexo 01

ALGUMAS DEFINIÇÕES DE ARTE GENERATIVA [1]

A Arte Generativa é qualquer prática de arte na qual o artista utiliza um sistema, como um conjunto de regras de linguagem natural, um programa de computador, uma máquina, ou outra invenção de procedimento, que é então colocado em movimento com certo grau de autonomia para ou resultante de um complexo trabalho de arte (Philip Galanter).

A Arte Generativa é a idéia concretizada na forma do código genético de objetos artificiais. O projeto generativo é um software-conceito que funciona ao produzir eventos tridimensionais únicos e não-repetíveis como possíveis e múltiplas expressões da idéia geradora identificada pelo designer na forma de um mundo visionário. Essa idéia/ato criativo humano torna explícita e concretiza a imprevisível, incrível e infindável criatividade humana. Os computadores são apenas as ferramentas utilizadas para seu armazenamento em memória e execução. Este método abre uma nova era em design e em produção industrial: o desafio de uma nova naturalidade do objeto industrial como espelho da Natureza. Mais uma vez o homem emula a Natureza, como no ato de fazer Arte. Repentinamente, este método abriu a possibilidade de se redescobrir possíveis campos de criatividade humana que seriam impensáveis sem ferramentas de informática. Se essas ferramentas, no início da era da informática, pareciam extinguir a criatividade humana, hoje, com ferramentas generativas, elas operam diretamente nos códigos da Harmonia. Elas tornaram-se ferramentas que abrem novos campos e ampliam nosso entendimento de criatividade como uma síntese indissolúvel entre a arte e a ciência. Após duzentos anos da antiga era industrial de objetos necessariamente clonados, o objeto “exclusivo” torna-se uma resposta essencial às necessidades estéticas emergentes. (Celestino Soddu)

A Arte Generativa é a arte ou o design que é gerado, composto ou construído através de algoritmos de software de computador, ou por processos matemáticos ou mecânicos autônomos similares. As formas mais comuns de Arte Generativa são gráficos que representam visualmente processos complexos, música ou composições baseadas em linguagem como poesia. Outras aplicações incluem design arquitetônico, modelos para o entendimento de ciências como evolução, e sistemas de inteligência artificial (Wikipedia).

Arte de software generativo, como é de modo geral compreendido hoje, é arte que utiliza algoritmos matemáticos para transformar expressões em formas artísticas mais convencionais automática ou semi-automaticamente. Por exemplo, um programa generativo pode produzir poemas, imagens, melodias ou elementos visuais animados. De modo geral, o objetivo de tal programa é criar resultados diferentes cada vez que é executado. E, geralmente, espera-se que esses resultados tenham mérito estético por direito próprio e que sejam distinguíveis uns dos outros, de maneiras interessantes. Algumas Artes Generativas operam de modo totalmente autônomo, enquanto outras também incorporam entradas de um usuário ou do ambiente (Carlo Zanni).

Arte Generativa é uma expressão dada a trabalho que deriva de concentrar-se nos processos envolvidos na produção de um trabalho de arte, geralmente (embora não estritamente) automatizado pelo uso de uma máquina ou computador, ou pelo uso de instruções matemáticas ou pragmáticas para definir as regras através das quais tais trabalhos de arte são executados (Adrian Ward).

O uso do sistema é identificado, inicialmente, como um elemento-chave na Arte Generativa. Isto leva à adoção de complexidade, ordem e desordem como princípios eficazes de organização na comparação de diversos sistemas gerativos de arte. O traço de definição de Arte Generativa é a preferência que o artista estabelece em um sistema que pode gerar diversas formas possíveis, e melhor do que uma única forma concluída. O papel do artista é construir, iniciar ou meramente selecionar a estrutura de procedimentos para gerar possíveis expressões e, para tanto, o aspecto visual pode ou não ser determinante. (Vera Sylvia Bighetti).

A Arte Generativa descreve uma estratégia para a prática artística, não um estilo ou gênero de trabalho. O artista descreve um sistema baseado em regras que é externo a ele ou ela e que produz sozinho o trabalho de arte ou é, por si, um trabalho de arte. Concordo com Philip Galanter quando ele diz que o trabalho com qualidades generativas pode ser encontrado em toda a história da arte, mas tipicamente utilizo o termo para descrever trabalho baseado em computador criado a partir da década de 1960 até hoje. Considero muito do trabalho feito com pinturas abstratas e esculturas dos anos 60 essenciais para o entendimento da Arte Generativa. Para que a expressão Arte Generativa tenha qualquer significado quando aplicada a um dado trabalho, o aspecto de geratividade deve ser dominante no trabalho. Muitos projetos de arte baseados no computador têm elementos gerativos, mas não envolvem sistemas gerativos como resultado final. Hoje, a Arte Generativa está tipicamente vinculada a abstrações baseadas em software. Penso que a popularidade da expressão deva-se a um grupo emergente de artistas e designers mais jovens que estão preocupados com o código como um material estético. Naturalmente, isso leva a explorações sobre como o código afeta ambos o processo artístico e seu resultado final, incluindo uma materialidade de algoritmos etc. (Marius Watz)

A Arte Generativa é uma expressão contestada, mas para meus propósitos ela faz referência a um trabalho de arte que é amplamente baseado em regras, um entendimento maior do que foi informado pela co-curadoria da exposição itinerante Generator (com a Spacex Gallery, RU). O título “gerador” da exposição descreve a pessoa, o sistema operacional ou as coisas que geram o trabalho de arte, alternando a atenção para a interação, não para a separação desses processos produtivos. É significativo, uma vez definidas as regras, que o processo de produção permaneça não-supervisionado e que ele aparente ser auto-organizador, embora apenas se o conhecimento de outros aspectos seja suspendido. Como resultado, embora a Arte Generativa possa aparentar ser autônoma e estar fora de controle, meu argumento é que o controle é exercido através de uma complexa e colaborativa interrelação de produtor(es), hardware e software. As relações de produção dentro do trabalho de Arte Generativa são, assim, considerados decididamente complexos (suas operações não são abertas ou fechadas, como a teoria da complexidade e a dialética verificariam). Como o programador, o código que está por detrás da Arte Generativa permanece relativamente oculto e, assim, difícil de interpretar. (Geoff Cox)

Até Wolfgang Amadeus Mozart desenvolveu um “jogo musical de dados” que continha a maioria dos elementos que hoje são associados a ferramentas gerativas. A peça tem o título explanatório de “Como compor valsas com dois dados sem saber música e sem nada entender sobre composição.” Utilizando esse exemplo histórico, a metodologia da Arte Generativa pode ser descrita apropriadamente como a aplicação rigorosa de princípios predefinidos de ação para a exclusão intencional de, ou substituição por decisões estéticas individuais que colocam em movimento a geração de conteúdo artístico novo a partir de material fornecido para esse propósito. Para descrever este método, musicólogos criaram o conceito de “música aleatória”. O nome deriva do latim “aleator” (o jogador de dados), e não poderia ser mais apropriado para o exemplo acima. Em música aleatória, os princípios do acaso entram no processo de composição. Não há posição artística-padrão vinculada ao conceito de “gerativo”, mas sim um método de trabalho artístico, que foi e é empregado com os motivos mais diversos. Ao mesmo tempo, é interessante observar que este jeito de trabalhar aparece não apenas em conexão com um certo gênero, mas, de fato, estabeleceu-se em praticamente todas as áreas da prática artística, como a música, literatura e as belas artes. (Tjark Ihmels, Julia Riedel)

O Aaron (renomado programa que produz arte) claramente não era uma ferramenta do ponto de vista ortodoxo. Era mais algo como um tipo de assistente, se a necessidade de um análogo humano persiste, mas não um assistente que podia aprender aquilo que eu queria que fosse feito ao analisar o que eu mesmo fazia, o jeito que qualquer assistente do Rubens podia entender sozinho qual deveria ser a aparência de uma pintura de Rubens. Um computador não é um ser humano. Mas é o caso, presumidamente, que qualquer entidade capaz de adaptar seu desempenho a circunstâncias que eram imprevisíveis quando seu desempenho iniciou exibe inteligência: quer a entidade seja humana ou não. Estamos vivendo no cume de uma onda de choque cultural de proporções sem precedentes que impulsiona um novo tipo de entidade para dentro de nosso mundo: algo menos do que humano, talvez, mas potencialmente capaz de muitas das funções intelectuais mais altas que temos, supostamente para sermos exclusivamente humanos. Estamos no processo de chegar a termos com o fato de que “inteligência” não mais significa, unicamente, “inteligência humana”. (Harold Cohen)

Até 100 atrás, todos os eventos musicais eram únicos: a música era efêmera e impossível de repetir, e nem mesmo a partitura clássica era capaz de garantir duplicação precisa. Daí apareceu o disco do gramofone, que capturava certas apresentações e permitia que fossem ouvidas de modo idêntico repetidas vezes. Mas o experimento Koan, além de outros experimentos recentes, são o início de algo novo. Agora, há três alternativas: música ao vivo, música gravada e música generativa. A música gerativa tem alguns dos benefícios de ambos seus ancestrais. Como a música ao vivo, ela é sempre diferente. Como a música gravada, ela é livre de limitações de hora e lugar – você pode ouvi-la quando e onde quiser. E ela confere uma das outras grandes vantagens da forma gravada: pode ser composta empiricamente. Com isso, quis dizer que você pode ouvir a música ao trabalhar com ela – ela não sofre com o prolongado “loop” de feedback que é característico da música com partitura e desempenhada.(Brian Eno)

Arte Generativa – “Uma forma de abstração geométrica na qual faz-se com que um elemento básico ‘gere’ outras formas através da rotação etc. da forma inicial de tal forma a dar origem a um intricado design à medida que novas formas entram em contato umas com as outras, se sobrepõem, retrocedem ou avançam com variações complicadas. Foi feita uma palestra sobre ‘formas de Arte Generativa’ na Queen’s University, no Festival de Belfast, em 1972, pelo escultor romeno Neagu, que também fundou um Grupo de Arte Generativa. A Arte Generativa também era praticada, entre outros, por Eduardo McEntyre e Miguel Ángel Vidal [1928- ], na Argentina.” (Harold Osborne)

Arte Generativa: Processo através do qual um computador cria trabalhos únicos a partir de parâmetros fixos definidos pelo artista. O resultado pode variar de um envolvente salva-telas a um solo de jazz e até um rico mundo virtual. A aplicação visual da Arte Generativa é mais recente, entretanto. Em meados da década de 1970, o pintor abstrato britânico Harold Cohen conectou sua palheta e projetou o AARON, um computador artista que produz trabalho original. Desde então, técnicas generativas vem sendo utilizadas para criar vida artificial com base em algoritmos genéticos e mundos virtuais massivamente complexos que levam infinitamente mais tempo do que sete dias para serem criados à mão. Mas, seja qual for o resultado, há sempre um humano por detrás da cortina de alta tecnologia. “O computador de fato está gerando arte em parceria com o artista/programador, que define os campos de possibilidades” , afirma Holtzman, que experimenta com música gerativa há mais de 20 anos. “As pessoas têm essa idéia romântica de que um artista é atingido por um relâmpago de inspiração, corre para o piano ou para a tela e expressa uma idéia. A realidade é que a arte tem uma base formal, e computadores são uma ferramenta perfeita porque eles são perfeitos para manipular estruturas formais.”

O software, como material, é sempre líquido, potencialmente inteligente, interativo e muda constantemente. O único jeito de lidar com tal meio é através de uma somatória de processos e interações. A Arte Generativa e o design descrevem uma prática baseada em processo, no qual o artista fecha uma parceria com a máquina, descrevendo as qualidades estéticas em termos de regras e instruções. São permitidos fatores aleatórios para produzir comportamento orgânico. Com a combinação de princípios racionais/científicos e escolhas subjetivas/estéticas, são criados produtos novos e inesperados. Os resultados são formas e processos dinâmicos através do qual obtemos um novo entendimento do mundo que nos cerca, além de uma fonte nova e fascinante de experiências estéticas.


[1]– Tradução do texto no site de Bogdan Soban. Publicado em http://www.soban-art.com/