CO²nscience arte ecológica no Second Life

A possibilidade de uma arte que abrange o horizonte teórico, as inúmeras intenções e o contexto social, ainda com um espaço simbólico autônomo e privado, em que objetos estéticos, culturais e sociais possam ser postos em confronto, é o grande desejo de desenvolvedores da arte tecnológica.

CO²nscience  arte ecológica no SL
CO²nscience arte ecológica no SL

A meu ver, isso agora parece ser possível. A plataforma de código aberto do Second Life permite intercâmbios culturais e sociais, aumenta a maleabilidade dos indivíduos, através da rede de informações que conseqüentemente trará uma mudança na experimentação artística contemporânea. O projeto cria um espaço para percorrer, experimentar e estar junto para um novo tipo de arte que trabalha a intersubjetividade e a elaboração coletiva do sentido, reafirmando o conceito da estética relacional de Nicolas Borriaud.(2006).

A arte no SL prepara para um futuro próximo, para um mundo de inúmeras possibilidades, abandonando e reconstituindo o espaço habitado pela humanidade até hoje. Aprendemos a habitar um mundo que segue idéias preconcebidas do mundo real, mas onde novos modelos de ação agora podem ser criados pela arte.

No Second Life, novas modalidades de subjetividade se criam através das possibilidades criativas de objetos, imagens e sons, ferramentas criativas para inventar novas relações com o corpo, o tempo, as informações de pensamentos e comportamentos.

A arte de hoje pode ser entendida como um processo de trabalho, um modo de produção que assim que alcança o público torna-se instantaneamente uma coletividade de interator e criador. Afirmamos que hoje, quando o público perde sua qualidade de ser aquele que olha, passa a ter um papel na realização da obra, não existindo mais espaço entre obra e público. Estamos no tempo da manipulação, da tomada de decisões e da complementação da obra tecnológica. Desaparece a aura da obra de arte segundo Walter Benjamin (Benjamin, 1989. p.24). Trabalhamos com uma estética elacional.

Nesse ambiente, o conceito de Mijail Bajtin se reafirma. Para ele, “não existe limite entre autor e espectador quando o material de expressão se converte formalmente em material criador”.

Do mesmo modo que Peter Weibel (2004, p5)l afirma que a tela do monitor é como uma espuma, espaço sem limites entre a ação e a interação. Espaço de transferência, consciente de realização da obra, como uma osmose estética através do material, que trabalha por conta própria, revelando-se também como um plano imanente de conceitos e métodos, como uma zona híbrida, proporcionando um terreno de experiências privilegiadas.