O audiovisual

O advento da tecnologia e principalmente da eletrônica permitiu o desenvolvimento de armazenamento de som e softwares para gravação e reprodução de áudios bem amigáveis.

O sistema estéreo é formado por dois canais independentes, entretanto o sinal de um canal está relacionado com o sinal do outro. Por exemplo, quando se grava um som que está posicionado no centro dos microfones, na reprodução esse som terá o mesmo sinal em ambos os canais e escutamos um som central “fantasma”. Ou seja, o som parece vir de um ponto médio entre as caixas acústicas. Agora, quando o som está próximo de um microfone, por exemplo, o direito, na reprodução esse som sairá mais na caixa direita. Usando esse sistema, aplico muitos pontos sonoros que respondem à interação, de modo estereofônico ou de modo centralizado.

Trabalho o mundo da imagem e o mundo sonoro como elementos que se agenciam em pontos de encontro e intersecção. Crio “armadilhas sonoras visuais”, que no percurso desaparecem, aparecem novas, tornam-se relacionais e infinitamente emaranhadas. Dois pontos que se fundem em um novo ponto, não-complementares, como uma nova armadilha, um ponto de movimento no fluxo do processo.

Audioimagem, audiovisão e visuaudição, síncrese, extensão e temporalização são idéias propostas pelo teórico, professor, compositor e realizador francês Michel Chion, numa série de trabalhos que culmina na obra L’audio-vision de 1991.[1]

Audioimagem é quando falamos de uma possibilidade, algo que acontecerá fora da tela, mesmo fora do espaço físico onde tudo é ajustado, algo externo aos elementos que compõem algo que, ao acontecer, interferirá no espaço mental de quem quer que esteja interagindo. Esse fenômeno, que Michel Chion define como síntese do audiovisual, ganha autoridade e é explorado por ser uma construção puramente mental.

Na maioria das circunstâncias a proposta do audiovisual é trabalhar o som como complemento do contexto visual enriquecendo ou distorcendo a percepção.

Na tecnologia digital ele é o elemento de relação e similaridade entre os elementos visuais e sonoros que compõem a multimídia. Ambos são pontos informacionais que carregam informações de luz e som, são códigos idênticos e manipuláveis.

O sincronismo, ponto ativo, é explorado na multimídia como elo combinatório entre códigos audíveis e códigos visuais que respondem simultaneamente a um único evento como um só código. São elementos de origem comum com atributos específicos e diferenciados que se casam num só elemento.

O som e a imagem combinados são percebidos como uma só organização de tempo-espaço nos trabalhos multimídia.

A imagem tem na sua natureza o espaço, enquanto o som tem o tempo como natureza.

A extensão de um efeito audiovisual relacionado com a construção do espaço e com a combinação dos sons e das imagens define geralmente o espaço concreto em que se opera estrategicamente pelo contexto auditivo, pela complexidade espacial e se reafirma como um elemento fundamental para a construção da experiência estética. (Cruz, João)[2]

O ponto sincrônico é determinado pelo programador como resposta da ação interação. Normalmente uso grande número de pontos sincrônicos numa mesma seqüência de imagens, para que respondam pelo gesto do mouse com novas seqüências de pequenos trechos sonoros. O Director tem oito camadas de som, e trabalho os pontos sonoros com linguagem Lingo ou Action Script, de modo que respondam com troca de canais, alterações de freqüências, modulação e freqüência.

Alguns exemplos coletados por Jim Andrews estão dispomíveis em http://vispo.com/misc/ia.htm

Trabalho a arte eletrônica, imagem, som e textos de modo que o interator é o autor da ação, o programa responde como um meta-interator para uma posição de autor, enfrentando o sujeito “se” de Couchot para o seu oposto, o sujeito “eu”. Assim, o sujeito “se” faz o que o sujeito “eu” quer. O sujeito “eu” agora media, toma decisões e experimenta situações de agenciamento.

O projeto F8MW9 com conceito e programação de Jim Andrews em parceria com a poetiza americana, Margareta Waterman no desenvolvimento do áudio e imagens, pode ser acessado em : http://vispo.com/mw

Desenvolvido como experiência de leitura sonora poética para a Internet, o projeto interativo se formata pela ação e movimento das linhas verticais e horizontais, como um puzzle, permitindo mudanças do áudio em durações de 1 até 61.000ms.

A interatividade de F8MW9 suporta a mudança da duração máxima de uma seleção de áudio, joga com o tempo. O som pode ir do clique a uma reação da maquina apenas como um cut-up textual sonoro.

F8MW9 é um projeto de rotinas autogenerativas, que relaciona o áudio funky e a visualização da imagem poética.

http://vispo.com/mw/margaretawaterman.mp3



[1]– Michel Chion. (1991)L’Audio-Vision (Son et Image au Cinéma), 1991. Nathan-Université, série “Cinéma et Image”, Paris, rééd. Armand-Colin.

[2]– CRUZ, João disponível em http://www.at-c.org/?p=30×1.1

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