Projetos de rotinas autogenerativas

Alexei Shulgin
Vuk Cosic- BlowUp

Olia Lialina, Alexei Shulgin, Vuk Cosic, Webstalker (I/O/D) e JODI estão preocupados em discutir net arte, como gênero de arte na web. Desenvolvem projetos de pesquisa que formam a base crítica desse gênero de arte, como comunicação e transmissão de informação.

Procuram questionar as regras “convencionais” da web com projetos de transgressão, na tentativa de atingir os limites da mídia e seus paradigmas, reinterpretando conceitos culturais (C.PAUL, p119).

A net arte produz informações com formas particulares através de novas sensações. A internet configura uma nova situação cultural, define um processo social e merece nossa reflexão sobre seu impacto e potencialidade (Kac, 2007.p 69).

Os projetos de net arte, ao serem expostos on-line, podem ser admirados no mesmo contexto em que foram criados, não sofrendo qualquer alteração, diferentemente de obras expostas em galerias e museus ou transformadas em imagens para publicação em livros (Kac, p 70).

Com base nos projetos RIOT (potatoland.org) e REFRESH (Alexei Shulgin, Vuk Cosic e Andréas Broeckmann), o projeto (2005) explora a qualidade da internet de acessar, transformar, agregar imagens, textos, links de outros sites, randomicamente, de modo a permitir uma nova “página”, ou melhor, um novo modo de leitura e de informação. Acaso proporciona uma metamorfose dinâmica da informação digital da rede. Conecta diferentes elementos com outros em um looping de múltiplas referências.

Projeto "Stereoscopy view"

Muitos artistas exploraram a linguagem VRML, para trabalhar a realidade virtual no espaço digital. Essa linguagem começou a ser usada por volta dos anos 1990, com a idéia de proporcionar movimentos dentro do espaço 3D de navegação. Aos poucos essa linguagem foi sendo substituída por outras mais dinâmicas e amigáveis (Kac, 2007. p 73).

A preocupação dos artistas de arte generativa em criar espaços de imersão em 3D até hoje está sendo explorada. Trabalhos imersivos como OP-ERA, de Rejane Cantoni e Daniela Kutschat,(algoritmos genéticos) e Stereoscopy View, de Vera Bighetti, com linguagem totalmente diferente, têm em comum a busca pelo espaço, em que a interface e a realidade virtual se confundem em um campo experimental de interação.

As constantes mudanças da tecnologia e os artistas experimentais buscam expandir e hibridizar a internet com outros meios, espaços, sistemas e processos, questionando os protocolos e a estrutura da informação, para assim desenvolver novos direcionamentos da arte interativa por meio de propostas coletivas, sem um moderador ou controlador. Desse modo, ampliam os limites das formas de distribuição da informação, e esta deve ser a preocupação dos artistas de net arte: propor e proporcionar modos alternativos de comunicação (Kac,2007.p 76).

Eden- Eduardo Kac e Ed Bennett

Nessa busca, temos projetos de telepresença e telecomunicação, como Ornitorrinco in Eden[1] (1994), de Ed Bennet e Eduardo Kac.

Egoscópio- Giselle Beiguelman

O projeto Egoscópio (2004), de Giselle Beiguelman, propõe um diálogo entre o espaço tangível, o espaço virtual e o público. As imagens são codificadas em diferentes protocolos e mídias, em apenas alguns segundos a informação pode ser particular, pública, comercial etc. Conforme a sinopse da autora, Egoscópio:

Promove a descentralização e hibridização do conhecimento da informação, modificando a natureza da informação de modo livre e criativo, antecipando o desenvolvimento tecnológico que hoje está ao alcance de muitos. O participante de Egoscópio pode interagir com o sistema transmitindo imagens e textos para painéis eletrônicos situados em diversos pontos da cidade de São Paulo. Podemos acessar a internet pelo celular, máquina fotográfica, iPod, desde que tenhamos um endereço IP. Esses projetos são experimentações artísticas que envolvem instrumentos de telecomunicação como telefone ou fax. (Beiguelman, texto da autora no site do projeto)

GPSFace- Cícero I. Silva

Muitos projetos usam SMS (Secure Message System), textos de mensagens. Podemos classificar o projeto Egoscópio como nômade, assim como o projeto GPSface(2007) [2] de Cícero Ignácio da Silva que utiliza o GPS.

Novos protocolos proporcionam novas possibilidades para projetos de rotinas autogenerativas. Já podemos considerar que o corpo humano será, num futuro próximo, utilizado para acessar a internet como interação e ser a ponte para novas descobertas a serem ainda inventadas.