Self Cinema – cinema interativo

No contexto de cinema interativo e o Second Life, em 2007 desenvolvemos para o Nokia Trends 2007 o projeto Self Cinema com o apoio técnico de Henrique Matias e Fernando Reis.

O projeto foi pensado como filme que se formata e se edita pela ação do espectador no papel de editor ator, autor e distribuidor, trabalhando a estética da imagem, a interação e o espaço imersivo.

É um projeto desenvolvido para celulares que se conectam por Bluetooth.

Criamos um estúdio de cinema que trabalha o audiovisual como uma experiência de percepção do movimento sob o ponto de vista da criação contemporânea em que a imagem oferece estímulos capazes de gerar vibrações de movimento associadas a uma sensação de presença e imersão. O vídeo pelo celular possibilita o acesso à produção, novas formas de distribuição e recepção.

Self Cinema
Self Cinema
Self Cinema
Self Cinema

A produção de audiovisual com as tecnologias móveis apresenta, em tempo real e on-line, não apenas novas perspectivas da percepção sensória, mas carregam também a presença da imagem e do som vivo. As tecnologias móveis são ferramentas facilitadoras de captação, de processamento e de distribuição no dia a dia, nos nossos deslocamentos e no intercâmbio entre o espaço público e o privado.

Constrói um momento, uma imagem visual mesclando o espaço, a ação, a percepção e o movimento como um prolongamento virtual do corpo em ação.

Essa tecnologia é agenciada pela troca entre o sensório e o público, a percepção visual sonora e a experiência do movimento, gerando o audiovisual contemporâneo pensado como cinemática segundo Christine Mello[1].

O conceito de Cinemática segundo Christine Mello em palestra no Vídeo Brasil 2007:

“é quando o sujeito passa a ser um elemento ativo, seu corpo redimensiona e integra o ambiente coletivo numa fusão de sensações, um elemento agora visual sonoro, numa sinestesia entre a técnica e a tecnologia”.

Na Wikipédia: A cinemática (do grego kinema, movimento) é o ramo da física que procura descrever os movimentos sem se preocupar com as forças que originam estes movimentos. Para isso, organiza informação sobre a posição, o deslocamento, o espaço percorrido, a velocidade, a rapidez e a aceleração dos corpos.

Cinemática é a parte da física que estuda o movimento sem se preocupar com os motivos (força) que originam esse movimento. As forças são estudadas na dinâmica.

aplicativo estereoscópico
aplicativo estereoscópico

Self Cinema é um estudo sobre a captação, a experimentação e o movimento, dentro das características do audiovisual contemporânea, isto é, quando a imagem gera estímulos e vibrações relacionadas a uma presença, numa relação do senti-se dentro e fora, para que a sensação de imersão ocorra.

O projeto trabalha a imagem em movimento presente pelo corpo, deixa de ser a representação para ser a presença viva, sentida. Em Self Cinema a imagem se modifica em sensação. Dentro da cultura visual contemporânea trabalhamos com ambientes saturados, com a entropia e com os movimentos captados pela tela do celular numa experiência cinematográfica onde a imagem é transformada por filtros que se recombinam dilatando a imagem em manchas dinâmicas e estereoscópicas. Outro projeto que explora a imagem captado por celulares num processo generativo é a série de Giselle Beiguelman, “Sometime”[2]( 2007). Permite que o público capte a imagem e envie para a tela onde um mosaico de imagens se sobrepõe se apagam se recombinam em uma nova reconstrução cinematográfica. Os dois projetos trabalham a imagem liquida com resultados opostos. Em Sometime a imagem se forma e se apaga na interação enquanto que em Self Cinema a interação remonta a imagem.

Instalações interativas que exploram um mundo virtual distribuído, em que o participante interage à distância ou quando o participante está no espaço da instalação para promover uma relação entre o espaço físico e o virtual, criando um equilíbrio perfeito entre eles. Segundo Christiane Paul, alguns projetos pretendem transmitir as qualidades do virtual para o espaço físico real e outros, ainda, tentam a fusão dos dois espaços. Resumindo, as instalações interativas pretendem sempre promover uma relação entre o espaço físico e o virtual, para ser interagido no virtual pelo usuário que pode estar dentro ou fora do espaço físico da obra (C.Paul, pp.71/81).

Projetos no Second Life, Self Cinema e a série Sometime, têm alguns pontos em comum. Trabalham a produção e a distribuição em tempo real, transformam e posicionam o observador passivo em um elemento ativo integrado na composição e sensações audiovisuais, constrói um conjunto de movimento sinestésico em uma nova relação entre o homem e máquina dentro de um processo de rotinas geradoras de imagens que se formatam pelo movimento.

Trata-se de usar e abusar daquilo que confere especificidade à imagem digital: sua possibilidade de ser mapeável, transformando-se em imagem-interface, recuperando procedimentos e atualizações a linguagem e os códigos visuais no contexto híbrido da internet (Beiguelman, 2005, p.62)


[1]-Mello, Christine (palestra no Vídeo Brasil- Encontros SESC Videobrasil -SESC (setembro 2007).